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Um jovem sentado sem camisa em um pequeno barco a remo alongado no mar, olhando para longe, visto de um ângulo traseiro diagonal
18.11.2025

A História da FAYA: Enraizada nas Pessoas, concretizada através da Natureza

Um Lugar Onde a Mudança Cria Raízes

Ao largo da costa da África Central, no abraço quente do Atlântico, encontra-se a ilha esmeralda do Príncipe. Conhecida pela sua beleza, biodiversidade e profundo património cultural, esta pequena ilha está a tornar-se uma força silenciosa de transformação global.

Aqui, a Fundação FAYA está a semear as bases de um novo modelo de desenvolvimento sustentável. Um modelo que respeita a natureza, restaura a dignidade, valoriza o conhecimento e mede o sucesso tanto em termos ambientais como humanos.


Um Lugar de Beleza e Resiliência

O Príncipe é um lugar de contrastes. As suas paisagens são abundantes, e as suas pessoas carregam histórias que atravessam gerações. Ao longo do tempo, os habitantes da ilha enfrentaram perdas e renovações culturais, mudanças económicas e transformações tecnológicas. No entanto, dentro dessa complexidade existe algo poderoso.

As pessoas do Príncipe detêm sabedoria ancestral, fortes valores comunitários e uma ligação profunda ao mundo natural. A FAYA existe para honrar essa força e construir a partir dela.


Uma Decisão que Mudou Tudo

A história da FAYA começou quando Mark Shuttleworth, empreendedor na área da tecnologia, visitou o Príncipe pela primeira vez em 2010. Chegou com a ideia de criar um retiro privado, mas aquilo que encontrou mudou o rumo da sua vida.

Depois de conhecer a comunidade e compreender o coração da ilha, tomou uma decisão diferente. Escolheu investir não apenas financeiramente, mas também de forma pessoal e intencional.

O objetivo tornou-se claro: criar algo duradouro e inclusivo, onde as pessoas locais fossem as guardiãs do seu próprio destino. A FAYA não seria uma fundação típica. Seria um sistema vivo e colaborativo, moldado pela escuta, pela aprendizagem e por uma visão partilhada.

O Que Significa FAYA

A palavra FAYA carrega múltiplos significados. Evoca crescimento, luz, fogo e transformação. Representa a energia que impulsiona o trabalho da fundação e a proximidade humana da sua abordagem.

A FAYA não é uma instituição de caridade. Não é um produto. É um sistema enraizado em parcerias, onde o progresso é medido através do bem-estar das pessoas e da saúde da terra.


O Dividendo Natural: Medir o Que Realmente Importa

A contribuição mais significativa da FAYA é a criação do Dividendo Natural, um modelo pioneiro que redefine a forma como valorizamos e cuidamos da natureza. Na sua essência, a ideia é simples: as pessoas que protegem a terra devem beneficiar diretamente do seu bem-estar.

A conservação não deve ser um sacrifício. Deve ser um caminho para a segurança, a dignidade e a prosperidade partilhada.

Para tornar isso possível, a FAYA está a desenvolver o Algoritmo de Pagamento do Dividendo Natural, uma ferramenta digital que combina dados aprofundados sobre biodiversidade e saúde dos ecossistemas com conhecimentos locais sobre bem-estar social, criando incentivos para ações ambientais positivas. Ao recompensar as pessoas locais que cuidam da natureza, o objetivo é reforçar a biodiversidade, fortalecer os serviços dos ecossistemas e proporcionar maior segurança financeira e melhores condições materiais às comunidades.

Este trabalho liga-se a debates mais amplos sobre capital natural e serviços dos ecossistemas, alinhando-se com iniciativas globais como o Programa das Nações Unidas para o Ambiente e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.


Uma Equipa com Visão e Coração

Por trás da FAYA existe uma equipa dedicada e multidisciplinar, unida por crenças e valores comuns. Mark traz visão e compromisso a longo prazo. Jorge constrói e lidera uma equipa coesa e assegura a estabilidade financeira. Vik e Horacio constroem relações e confiança com as comunidades e líderes locais. João Guimarães e a sua equipa mapeiam a biodiversidade única da ilha e criam planos para a sua proteção. José garante a implementação no terreno e a inovação tecnológica. Jeremy assegura a integridade científica e a aprendizagem contínua. Os especialistas em dados João Garcia e Hartmut recolhem e analisam a informação. Diana dá voz e coerência à narrativa.

Cada pessoa traz forças diferentes, mas todas estão ligadas por um objetivo comum: construir sistemas que devolvam mais do que retiram.


A Comunidade no Centro

A FAYA não começa com planos. Começa com a escuta. Cada projeto é concebido tendo em conta as pessoas que irão viver os seus resultados. Desde o desenho das habitações às fontes de energia e à gestão de resíduos, cada passo reflete prioridades locais e sustentabilidade a longo prazo.

Todas estas iniciativas alinham-se com o foco da fundação nas Nossas Prioridades: construir confiança, ligação e orgulho através da participação local.


Um Laboratório Vivo para o Mundo

O Príncipe é mais do que um lugar. É uma sala de aula viva para uma nova forma de agir. O que está a ser construído aqui pode influenciar a forma como comunidades em todo o mundo desenham o seu futuro.

A FAYA acredita que mudanças significativas podem começar em pequena escala. Podem ser pessoais, experimentais e profundamente enraizadas num lugar, mas ainda assim ter o potencial de transformar sistemas globais.


Olhando para o Futuro: Conhecimento Partilhado, Futuro Partilhado

Tudo o que é criado através da FAYA é partilhado de forma aberta. Os modelos, dados e ferramentas estarão disponíveis para qualquer pessoa que trabalhe em prol de um desenvolvimento centrado nas pessoas e consciente do planeta.

Esta é a filosofia de código aberto em ação. Reflete a crença de que as ideias devem circular e que a esperança se fortalece quando é partilhada.

O trabalho continua a evoluir, mas a base é sólida. O objetivo da FAYA não é criar dependência, mas dignidade. Não projetos de curto prazo, mas sistemas que perduram.

Através deste caminho, o Príncipe mostra o que significa desenhar um desenvolvimento que começa por ouvir e permanece muito depois de os holofotes se apagarem.